CBS, IBS e Imposto Seletivo: o glossário da Reforma Tributária

Cinco tributos sobre consumo viram dois. É a mudança mais profunda do sistema tributário brasileiro em décadas, e ela vem com vocabulário novo: CBS, IBS, Imposto Seletivo, IVA Dual.
Antes de simular qualquer impacto no seu caixa, vale fixar o significado de cada sigla. Quem confunde CBS com IBS, ou trata o Imposto Seletivo como se fosse arrecadação geral, erra a conta logo no começo. Este é o glossário da Reforma, com o que cada termo substitui, de quem é a competência e quando entra.
Neste glossário: CBS · IBS · Imposto Seletivo · IVA Dual · termos relacionados · os três lado a lado.
CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços
A CBS é o tributo federal do novo modelo. Substitui três tributos atuais: PIS, Cofins e IPI. É um IVA, cobrado no regime de débito e crédito não-cumulativo, o que significa que a empresa abate o que pagou de CBS ao longo da cadeia do que deve na venda.
Entra com alíquota cheia em 2027, quando PIS e Cofins são extintos. Em 2026 ela já aparece na nota fiscal a 0,9%, mas só para teste, sem recolhimento. A base legal é a Lei Complementar 214/2025, regulamentada pelo Decreto 12.955/2026.
IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços
O IBS é a contraparte estadual e municipal. Substitui o ICMS (dos estados) e o ISS (dos municípios) por um único imposto, de competência compartilhada. Quem coordena estados e municípios é o Comitê Gestor do IBS, instituído pela Lei Complementar 227/2026.
Também é um IVA não-cumulativo, com a mesma lógica de crédito da CBS. A diferença está na competência e no calendário: o IBS tem transição mais longa, de 2029 a 2032, ganhando peso ano a ano até a vigência plena em 2033. O detalhe ano a ano está no cronograma da Reforma de 2026 a 2033.
Imposto Seletivo
O Imposto Seletivo, ou IS, é um tributo federal novo e tem função diferente dos outros dois. Ele não existe para arrecadar de forma ampla. Existe para desestimular o consumo de bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, definidos em lei. Por isso é chamado, na imprensa, de imposto do pecado.
Incide de forma adicional, sobre itens específicos, e entra em 2027, junto com a CBS plena. Tratá-lo como se fosse parte da carga geral de consumo é um erro comum: o IS atinge categorias delimitadas, não toda a operação da empresa.
IVA Dual
IVA Dual é o nome do conjunto, e não um terceiro imposto: a soma da CBS (federal) com o IBS (estadual e municipal). O Brasil adotou um IVA de duas camadas em vez de um imposto único, para preservar a autonomia de arrecadação dos entes federativos. Quando você lê que o IVA brasileiro ficará em torno de certo percentual, é dessa soma que se fala.
A alíquota de referência ainda será fixada pelo Senado ao longo da transição. As estimativas de mercado falam em torno de 28% para o IVA total, mas isso é estimativa, não número fechado. Qualquer projeção séria trabalha com cenários.
Termos que aparecem junto
Não-cumulatividade. O princípio que evita o imposto em cascata. Em vez de pagar tributo sobre tributo, a empresa credita o que já foi pago nas etapas anteriores e recolhe só a diferença. CBS e IBS são amplamente não-cumulativos, o que muda o valor do crédito que cada empresa aproveita.
Alíquota de referência. A alíquota padrão fixada pelo Senado durante a transição, adotada automaticamente por União, estados e municípios quando não definem a própria. É a régua que ainda não foi cravada.
Split Payment. O recolhimento na liquidação financeira da operação: o imposto tende a ir direto ao destino no momento do pagamento, em vez de circular no caixa da empresa. Por afetar capital de giro de forma específica, tratamos o tema em post próprio.
Comitê Gestor do IBS. O órgão que coordena estados e municípios na administração do IBS, instituído pela LC 227/2026. Sem ele, não haveria como um imposto único reconciliar milhares de competências locais.
Os três tributos lado a lado
| Tributo | Substitui | Competência | Quando entra |
|---|---|---|---|
| CBS | PIS, Cofins, IPI | Federal | Cheia em 2027 (teste a 0,9% em 2026) |
| IBS | ICMS, ISS | Estadual e municipal | Transição 2029–2032; pleno em 2033 |
| Imposto Seletivo | Nada (é adicional) | Federal | 2027, sobre itens específicos |
Por que o vocabulário importa para a sua empresa
Fixar esses termos não é exercício de decorar sigla. A decisão de regime tributário e o planejamento de crédito a partir de 2027 dependem de entender qual imposto incide onde, e qual crédito você aproveita em cada etapa. Trocar CBS por IBS numa simulação, ou ignorar que o Imposto Seletivo só atinge categorias específicas, leva a um número errado e a uma decisão pior.
O Nítido está sendo construído para fazer essa conta com o vocabulário certo: o que cada tributo faz com o seu caixa, em cenários, ano a ano até 2033.
Perguntas frequentes
O que é a CBS?
Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal. Substitui PIS, Cofins e IPI. Entra com alíquota cheia em 2027, no regime de débito e crédito não-cumulativo.
O que é o IBS?
Imposto sobre Bens e Serviços, de competência compartilhada entre estados e municípios, coordenado pelo Comitê Gestor do IBS. Substitui ICMS e ISS, com transição de 2029 a 2032 e vigência plena em 2033.
O que é o Imposto Seletivo?
Tributo federal sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Tem função de desestímulo, não de arrecadação principal, e entra em 2027.
Qual a diferença entre CBS e IBS?
Ambos são IVA, mas a CBS é federal (no lugar de PIS/Cofins/IPI) e o IBS é estadual e municipal (no lugar de ICMS/ISS). A soma dos dois é o IVA Dual brasileiro.
O que é o IVA Dual?
É o nome do conjunto formado pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual e municipal). O Brasil adotou um IVA de duas camadas, em vez de um imposto único, para preservar a arrecadação dos entes federativos.
Quando a CBS começa a ser cobrada?
Em 2027, com alíquota cheia, quando PIS e Cofins são extintos. Em 2026 ela já aparece na nota a 0,9%, mas só para teste, sem recolhimento.
O Imposto Seletivo substitui algum tributo?
Não. Ele é adicional, cobrado sobre itens específicos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, definidos em lei. Por isso é chamado de imposto do pecado.
O que é não-cumulatividade no IVA?
O princípio que evita imposto sobre imposto: a empresa credita o que já pagou de CBS e IBS nas etapas anteriores e recolhe só a diferença.
Continue lendo
O mesmo faturamento, impostos diferentes: quando ler as NF-e pelo A1 muda o cenário fiscal
Faturamento igual não implica imposto igual sob o IBS. O que determina a carga é a composição das operações. Para algumas empresas, ler 24 meses de NF-e muda o número. Para outras, não faz diferença.
Split Payment: o detalhe da Reforma que mexe no seu caixa antes de 2027
Com o Split Payment, o imposto sai na liquidação do pagamento, antes de passar pelo seu caixa. Acaba o float que hoje financia parte do seu capital de giro.
Simule o seu cenário antes de decidir.
O Nítido está em construção final. Entre na lista de espera e seja avisado no lançamento.